quinta-feira, fevereiro 09, 2017

Como encaixar Diego, Conca e Berrío?

Mancuello tem jogado a partir da direita neste início de temporada. No 4-2-3-1 de Zé Ricardo, Rômulo e Arão são os volantes e Diego atua como "10", atrás de Guerrero, com Mancuello e Everton nas beiradas. Pelo fato de ser canhoto (e de ser mais meia do que ponta), o argentino tende a transitar pela faixa central com naturalidade, onde soma esforços criativos com Diego, deixando o flanco para o lateral Pará. Sem dúvida a ideia é boa e pelo visto está dando certo. Porém, fica a pergunta: onde entra Berrío? E Conca?

Bom. Antes de qualquer coisa é preciso questionar essa obsessão que nós temos em querer encaixar todos os reforços no mesmo XI. Como diz o próprio nome, apenas onze jogadores começam a partida, e inevitavelmente alguns atletas com estirpe de titular acabam ficando de fora. Por essas e outras é fundamental saber rodar o elenco. Dito isso, no entanto, é preciso sim ter em mente o chamado "XI ideal", a chamada "força máxima", para quando se tem todos os jogadores à disposição - embora isso seja meio raro no futebol brasileiro. Por isso fica a pergunta: e Conca? E Berrío?

Uma coisa me parece evidente: Berrío é extremo-direito e chegou para ser titular. Seu lugar, portanto, em tese, é a ponta direita, lugar preenchido hoje por Mancuello. Ou seja, se a ideia do treinador é seguir com o 4-2-3-1, de duas, uma: ou ele mantém o canhoto Mancuello à direita e joga Berrío para o lado esquerdo, ou ele faz o contrário (põe Berrío na direita e Mancuello na esquerda). O xis da questão aí passa pelas características dos envolvidos. Uma coisa é jogar com o "meia" canhoto criativo à direita e outra é jogar com o típico "winger", destro, mais físico. Com um a tendência é a circulação pela faixa central visando a elaboração das jogadas. Com o outro, a tendência é a chegada forte, velocidade, explosão. Surge então outra pergunta: é melhor ter o "meia" canhoto Mancuello a partir da direita ou o "winger" destro Berrío?



Talvez a saída seja mesmo passar Mancuello para a esquerda, para deixar Berrío na sua praia (a extrema direita). Embora seja mais fácil para o canhoto argentino transitar pela faixa central a partir da direita, ele tem mais condições de atuar a partir da esquerda do que Berrío (ainda que isso possa alterar o funcionamento do time). E isso serve para o outro meia argentino canhoto do elenco: Conca. Com Diego e Berrío no mesmo XI, no 4-2-3-1, o que sobra para Conca? A beirada esquerda (e para Mancuello, a reserva). No fim das contas, independente do esquema tático, o fato é que está se desenhando uma briga entre Conca e Mancuello por uma vaga. E para o Flamengo isso é ótimo, pois revela a qualidade do plantel. Resta saber como Zé Ricardo vai administrar isso.

O cenário, então, é este: um 4-2-3-1 com Rômulo e Arão volantes, Diego atrás de Guerrero, Berrío na direita e, na esquerda, Conca ou Mancuello (ou Everton). Convenhamos, um senhor XI, que tem tudo para dar certo e brigar por títulos graúdos. Ainda penso, entretanto, que há outra alternativa que poderia deixar o time um pouco mais equilibrado, uma vez que a ideia de ter Mancuello fechando o lado do campo na fase defensiva não me parece a mais indicada. Na verdade, mais Conca do que Mancuello. Mancuello nem tanto. Mais Conca mesmo. Confesso que tenho dificuldade de imaginá-lo fechando o lado do campo na fase defensiva. Posso estar errado, mas tenho a impressão de que estouraria no lateral com frequência. Qual a alternativa, então? Para mim, mudar a estrutura tática. Passar para um 3-4-2-1, com Berrío na ala direita e os meias Conca e Diego próximos ao centroavante (prancheta abaixo). Dessa forma, Conca seria menos exigido sem a bola, de modo que o equilírio do time seria mantido.



Enfim. De qualquer maneira, acho que Zé Ricardo faz bem em tentar encaixar seus principais jogadores no esquema que é adotado desde o ano passado (4-2-3-1). Trata-se da manutenção de uma ideia que deu/está dando certo - e que tende a dar mais certo com Mancuello do que com Conca. Só espero que ele esteja aberto a novas ideias e variações, como, por exemplo, um 3-4-2-1 (ou 3-4-3, se preferir) onde o veterano Conca - especialmente ele - se sinta mais confortável, sem que maiores sacrifícios sejam necessários.

PS: Para entender melhor o funcionamento do 3-4-3, leia aqui a análise feita por Eduardo Cecconi em seu blog. Vale muito a pena.

quarta-feira, dezembro 21, 2016

Olho na joia do Borussia Dortmund

Costumo dizer que jogador completo não é o cara que faz gol com a direita, a esquerda e de cabeça. Jogador completo é o que domina a arte do passe, do drible e da finalização no alto nível, de maneira semelhante. Geralmente esse jogador atua na ponta, ou a partir dela, como Messi, Neymar, Hazard, Mahrez, Robben, Griezmann, etc; mas também há exemplos no meio campo (Pogba) e na referência do ataque (Suárez). Repare, no entanto, que estamos falando da elite da elite aqui. Porque, de fato, são raros os jogadores que podem ser enquadrados nessa categoria de "jogadores completos". E um deles, além dos citados acima, é o camisa 7 do Dortmund (ou pelo menos ele está a caminho de ser).



Aos 19 anos de idade, em sua primeira temporada no BVB, Ousmane Dembélé já é um dos três jogadores mais importantes da equipe - para não dizer o mais importante. Claro. Aubameyang é o artilheiro do time, Weigl é o eixo entre defesa e meio/ataque, Reus é ídolo e tudo mais, porém quem tem desequilibrado a favor do Borussia Dortmund, na prática, é Dembélé. E tem desequilibrado porque, além da personalidade, do forte lado emocional que possui, o jovem francês é mestre no drible e no passe. E quando aprimorar a finalização, quando pegar gosto de verdade pelo gol, se tornará world class. Okay. "Mestre" talvez seja exagero, pois se trata de um atleta de 19 anos. Contudo, sua qualidade no drible e no passe fica mais evidente a cada semana que passa.

E seus números também revelam isso. Somando Bundesliga e Champions League, Dembélé tem 11 assistências (e 5 gols) em 21 jogos na temporada, sem falar que a maior média de dribles por partida do campeonato alemão é dele (e uma das maiores da UCL). De fato, seu número de gols não está à altura de seus dribles e seus passes. Mas é importante lembrar que estamos falando de um jogador de 19 anos, que chegou agora a um grande clube da Europa, e que tem tudo, mas tudo, para evoluir - ainda mais atuando no time do ousado e ofensivo Thomas Tuchel. O treinador alemão, aliás, já disse que Dembélé "tem o que têm os Bolas de Ouro". Empolgou? Talvez sim. Ou, talvez não, pois só o tempo dirá se ele se juntará a Neymar, Dybala e os outros na corrida pela Bola de Ouro, quando a hegemonia Messi-CR7 acabar.

PS: Outro detalhe que vale a pena ser citado é que o Dortmund pagou ao Stade Rennais apenas € 15 milhões por Dembélé na última janela de verão. Isso mesmo. Apenas quinze milhões de euros.

segunda-feira, novembro 28, 2016

A evolução do Chelsea de Conte

Esquema tático não joga sozinho. Sem os movimentos e as tomadas de decisões condicionados pelo treinador através de treinamentos e orientações, o esquema tático por si só não quer dizer muita coisa, não é definitivo. Feita essa ressalva, a estrutura tática, a distribuição das peças e a ocupação dos espaços são sim importantes. Porque vira e mexe leio alguém dizer que "o esquema tático não importa", e disso eu discordo em gênero, número e grau.

Desde que passou para o 3-4-3, o Chelsea de Conte não perdeu na Premier League. Pelo contrário, só ganhou: 7 vitórias em 7 rodadas seguidas. Aliás, é a melhor sequência do Chelsea no torneio desde Mourinho na temporada 2006/07 (9 vitórias). A última derrota foi aquele 3 a 0 para o Arsenal, quando o time de Conte ainda atuava com linha de quatro atrás. Então quer dizer que qualquer equipe que começar a jogar no 3-4-3 vai começar a ganhar todos os jogos? Claro que não. No entanto é inegável o crescimento do Chelsea desde que o técnico italiano mudou o esquema, e isso não é uma mera coincidência.



Nesta sequência de 7 vitórias, o Chelsea sofreu apenas um gol. Foram seis "clean sheets", e isso tem tudo a ver com a segurança defensiva que o time adquiriu após a mudança. No 3-4-3, David Luiz joga protegido pelos zagueiros das beiradas (Azpilicueta e Cahill), sem falar que na tomada de decisão, um de seus pontos fracos, ele evoluiu nesta temporada. Outro ponto positivo, no aspecto defensivo, é a presença de dois volantes como Kanté e Matic no meio. Ou seja, além dos três zagueiros e do goleiro (e dos dois disciplinados alas que fecham e formam uma linha de cinco lá atrás), há um doble pivote com dois atletas com alto poder de marcação - e que também sabem jogar com a bola no pé.

Não foi apenas no quesito defensivo, todavia, que o Chelsea melhorou desde a mudança para o 3-4-3. Ofensivamente o time também cresceu, em especial por causa de Hazard. Coberto por Alonso, com menos responsabilidades defensivas e mais liberdade, tempo e energia para se dedicar às construções e finalizações das jogadas, o belga está mais perto da meta e flutuando pela faixa central do que nunca. E os números mostram isso: ele está criando mais, está arrematando mais, está participando mais, está marcando mais gols. E com isso cresce o futebol de Diego Costa - um dos artilheiros da competição - e do time como um todo.

Enfim. Como eu disse antes, não basta o treinador adotar o "esquema da moda" e esperar que sua equipe comece a render naturalmente. Futebol é mais complexo do que isso, e o trabalho do treinador nunca foi tão importante quanto é hoje em dia (e Conte está mostrando isso no Chelsea, entre outros). Contudo, guardadas as proporções, a distribuição das peças em campo é sim relevante e influencia no desenvolvimento do jogo.

sábado, outubro 01, 2016

A posição do camisa 10

Te pergunto: se Coutinho jogasse no Barcelona, seria opção para o lugar de Iniesta ou de Neymar? De Iniesta, né? Ele poderia jogar nas duas, eu sei, mas me parece evidente que sua posição "ideal" no 4-3-3 do Barça seria a meia esquerda (Iniesta) e não a ponta esquerda (Neymar), por exemplo.

No Liverpool de Klopp, Coutinho atua na ponta esquerda. Sem a posse da bola fecha o flanco esquerdo do campo, de modo que, com ela, naturalmente circula pela faixa central, vindo da esquerda, buscando o espaço entre linhas para o passe ou o arremate de direita. Seu arremate de direita de fora da área, da meia esquerda, inclusive, já virou um clássico.



Em jogo válido pela 7ª rodada da Premier League, neste sábado, diante do Swansea, fora de casa, o XI inicial do Liverpool foi o habitual: Henderson volante, Lallana e Wijnaldum nas meias, Mané e Coutinho nas pontas, mais Firmino centroavante (4-1-4-1). Ainda no primeiro tempo, contudo, Klopp foi forçado a mexer no time, devido à lesão de Lallana (23'). Atrás no placar (Fer marcou no minuto 8), o treinador alemão colocou Sturridge, passou Firmino para a ponta esquerda e Coutinho para o lugar onde, na minha visão, ele pode render mais: a meia esquerda (prancheta acima).

E o futebol de Coutinho cresceu. Principalmente no segundo tempo. Mais presente, o camisa 10 deu a dose de criatividade e fluência que a equipe estava tanto precisando pelo corredor central. Com os elétricos Mané e Firmino abertos (o primeiro mais aberto que o segundo) e o móbil Sturridge no comando do ataque, o Liverpool passou a controlar o jogo, algo que não havia conseguido na primeira etapa. As associações começaram a surgir com mais frequência, as chances começaram a ser criadas, a pressão a aumentar, até a virada chegar: 2 a 1 (Firmino e Milner).

Vitória importantíssima para quem quer brigar pelo título, pois acaba com o estigma de que o Liverpool 2016/17 vai bem contra times "grandes" e mal contra times "pequenos". Enfim. Só espero que Klopp considere jogar mais vezes com Coutinho na meia esquerda do 4-1-4-1/4-3-3. Assim como Tite na Seleção (Casemiro volante, Fernandinho e Coutinho nas meias, Douglas Costa e Neymar nas pontas, mais Jesus centroavante, por exemplo).

domingo, setembro 25, 2016

Gabigol estreia no "tudo ou nada"

Talvez é cedo para afirmar, mas o 4-3-3 parace ser a estrutura tática titular da Inter de Frank de Boer, com Medel à frente da zaga, Banega e João Mário nas meias, Candreva e Perisic nas pontas, mais Icardi na referência. O chamado plano A não deve fugir disso. E nesse caso, a briga de Gabriel Barbosa por uma vaga no XI inicial será com Candreva, pela ponta direita.



Em outro caso, no 4-4-2 em linha (plano B), a briga de Gabigol deve ser com Eder, por uma vaga no ataque ao lado de Icardi (Candreva e Perisic abertos, além da dupla de volantes). Num 4-4-2 em linha, claro, Gabigol de segundo atacante é o mais lógico. Ainda mais quando se tem dois wingers natos como Candreva e Perisic. Na partida deste domingo, contra o Bologna, todavia, o brasileiro entrou na extrema direita, na vaga de Candreva (Eder e Icardi na frente, Perisic na outra extrema, além da dupla de volantes). Mas trava-se de um empate em casa contra o Bologna, trava-se de um "tudo ou nada" nos últimos 15, 20 minutos. Obviamente o 4-4-2 mais racional tem Candreva e Perisic abertos e Gabigol e Icardi na frente.

De qualquer forma, uma coisa me parece evidente: esse 4-4-2 deve ser o plano B de De Boer, uma carta na manga para ser utilizada eventualmente, uma vez que Banega e João Mário são titularíssimos, essenciais, e o melhor esquema para encaixá-los é o 4-3-3 (detalhe: João Mário não foi relacionado para o jogo contra o Bologna). E no 4-3-3 a briga de Gabriel será pela ponta direita, com Candreva. Uma coisa que pode pesar a favor do brasileiro é a diagonal. Destro, Candreva em regra busca a linha de fundo e o cruzamento. Algo que ele faz bem, diga-se de passagem. Mas com o canhoto Gabigol na ponta direita, a Inter ganha uma arma fundamental: a entrada na diagonal, que abre o ângulo para o arremate (ou para o passe). Algo que ele faz bem, diga-se. Porém de resto a vantagem inicial nessa provável disputa por uma vaga no XI inicial é de Candreva, jogador da seleção italiana, experiente, de mais intensidade e força física.

sexta-feira, setembro 02, 2016

Top 10 elencos Premier League 2016/17

A discordância é livre.

1. Manchester United Football Club



2. Manchester City Football Club



3. Chelsea Football Club



4. Tottenham Hotspur Football Club



5. Arsenal Football Club



6. Liverpool Football Club



7. Everton Football Club



8. West Ham United Football Club



9. Leicester City Football Club



10. Stoke City Football Club



PS: Os esquemas táticos das pranchetas acima, as ordens de titularidade e as distribuições dos jogadores naturalmente não devem estar 100% corretas.

quarta-feira, agosto 31, 2016

Top 15 elencos da Europa 2016/17

A discordância é livre.

1. Real Madrid Club de Fútbol



2. Futbol Club Barcelona



3. Fußball-Club Bayern München



4. Manchester United Football Club



5. Juventus Football Club



6. Manchester City Football Club



7. Chelsea Football Club



8. Club Atlético de Madrid



9. Paris Saint-Germain Football Club



10. Tottenham Hotspur Football Club



11. Ballspielverein Borussia 1909 e. V. Dortmund



12. Football Club Internazionale Milano



13. Arsenal Football Club



14. Liverpool Football Club



15. Sevilla Fútbol Club



PS: Os esquemas táticos das pranchetas acima, as ordens de titularidade e as distribuições dos jogadores naturalmente não devem estar 100% corretas. Sem falar em um ou outro atleta que possa ter ficado de fora.

domingo, agosto 21, 2016

O reforçado Barcelona 2016/17

Com as chegadas de Umtiti, Digne, André Gomes e Denis Suárez, Luis Enrique tem agora em mãos peças de qualidade para rodar o elenco. Não que o elenco da temporada passada fosse ruim, mas o acréscimo desses quatro atletas (saíram Daniel Alves, Adriano, Vermaelen, Bartra) coloca o plantel em outro patamar. Se na temporada 2015/16 o treinador não rodou o elenco como deveria ou poderia, nesta não há desculpas para não fazê-lo, pois os "reservas" de alto nível chegaram nesta janela.

Soma-se a essas contratações o atual desempenho de Arda Turan, que foi julgado e condenado por muita gente precipitadamente, uma vez que não pôde jogar a metade inicial da temporada passada e sofreu para se adaptar ao estilo do novo time. Mas que agora, em 2016/17, tendo participado da pré-temporada e tudo mais, tem se mostrado uma opção muito interessante. Claro. Não tem vaga no "XI de gala", contudo pode atuar em quatro posições do 4-3-3 (nas duas meias e nas duas pontas) e isso é ótimo para ele e para o treinador (e para a equipe). Diante do Betis, no sábado, na primeira rodada da Liga, no Camp Nou, por exemplo, ele foi o substituto do campeão olímpico Neymar.



Com o canhoto Umtiti na zaga ao lado de Piqué, Sergi Roberto na lateral direita e Denis na do Iniesta, na meia esquerda, o Barça atropelou a equipe de Sevilha por 6 a 2, com direito a hat-trick de Suárez (com direito a gol de falta), dois de Messi e um de Arda, que abriu o placar após receber um passe de Alba, que havia se projetado na linha de fundo para receber aquele passe na diagonal clássico de Messi, aquele fatal, que geralmente encontra o ponta-esquerda ou o lateral-esquerdo no espaço (nesse caso, encontrou o lateral-esquerdo, pois o ponta-esquerda já estava dentro da área, numa região mais centralizada, à espera da assistência de Alba, que veio).

Além de Arda, outra grata surpresa do início desta temporada tem sido Denis Suárez, jogador que inicialmente eu havia pensado que fosse jogar na ponta esquerda, que seria o primeiro reserva de Neymar, porém que tem atuado na meia esquerda, com a camisa 6 (ex-Dani Alves e, claro, ex-Xavi), enquanto Turan tem se mostrado o primeiro reserva de Neymar. Soma-se ao ex-jogador do Villarreal o português André Gomes, e chegamos a cinco opções para as duas meias: Iniesta, Rakitic, Denis, André e Rafinha; de modo que as duas pontas ficam para Messi, Neymar, Arda e Munir (sem falar em Busquets e Samper para pivote). Ou seja, do meio para frente, todos têm um substituto imediato. Todos, menos Luis Suárez. A janela se fecha dia 31 de agosto e fala-se muito em Paco Alcácer, do Valencia. Mas a verdade é que, mesmo se o Barcelona não trouxer ninguém para a posição, quando Luis Enrique quiser rodar o elenco e descansar o uruguaio, Messi, Neymar ou Munir pode jogar como centroavante, com Arda numa das pontas (o problema é se Suárez se lesionar).

Em relação à linha defensiva, também são dois atletas por posição: Sergi Roberto e Aleix Vidal para a lateral direita, Alba e Digne para a esquerda, e Mascherano, Piqué, Umtiti e Mathieu para a dupla de zaga. Resta saber se chega alguém para a reserva de ter Stegen, já que a ida de Bravo para o Manchester City está acontecendo neste exato momento, enquanto termino este texto. Enfim. O fato é que agora Luis Enrique tem peças de qualidade no banco para girar o elenco. Se não girar, o time pode sentir fisicamente na reta final da temporada, como sentiu na anterior. Cabe ao treinador convencer os "titulares", em especial o trio MSN, de que rodar o elenco é preciso, de que eles não podem jogar os 90 minutos de todas as partidas.

sexta-feira, agosto 19, 2016

A estreia de Pogba pelo United

Apesar dos dois gols marcados por Ibrahimovic na vitória por 2 a 0 sobre o Southampton, nesta sexta-feira, em casa, pela segunda rodada da Premier League, para mim o melhor jogador da partida foi o estreante Pogba.

Posicionado no tradicional 4-2-3-1 de Mourinho, o novo camisa 6 do United formou o "doble pivote" com Fellaini, de modo que o belga guardou mais a posição, enquanto o francês fez o vai e vem pela esquerda (Mata e Martial fizeram as beiradas - com Mata ocupando a faixa central na fase ofensiva, liberando o corredor para Valencia - e Rooney atuou atrás do centroavante sueco).



O mapa de calor de Pogba, aliás, revela a presença do meio-campista por praticamente todo o terreno, de área a área, com ênfase no lado esquerdo. Em recente entrevista concedida a Henry, por sinal, Pogba se definiu como um box-to-box, um atleta que joga de área a área, que defende e ataca. E no 4-2-3-1 de Mourinho, de fato, ele terá de ser mais box-to-box do que nunca, pois na Juventus ele jogava - e voou assim - como meia-esquerda, sempre com um "primeiro volante" centralizado (Pirlo, Marchisio, etc).



Em outras palavras, o homem dos € 105 milhões terá de se adaptar à filosofia do novo treinador, pois embora o 4-1-4-1 seja talvez o esquema mais indicado para tirar o seu máximo, Mourinho aparentemente não irá abrir mão do seu habitual 4-2-3-1 (estrutura básica do seu Chelsea e do seu Real Madrid, por exemplo).

De qualquer forma, Pogba foi o melhor da partida contra o Southampton. Partida, diga-se, onde o United teve dificuldade para criar chances e teve menos posse de bola que o adversário em pleno Old Trafford. Nesse quesito, todavia, creio que não podemos esperar algo muito diferente disso, já que Mourinho prioriza o estilo reativo.

domingo, junho 26, 2016

Griezmann do Atlético na França

Deschamps tem variado entre o 4-3-3 e o 4-2-3-1 na Euro 2016. Na primeira rodada a França atuou com Pogba e Matuidi nas meias e Griezmann e Payet nas pontas do 4-3-3 (Kanté volante). Mas foi só na segunda etapa, distribuída no 4-2-3-1, com Payet pela faixa central e Coman e Martial abertos (Pogba e Griezmann foram sacados), que a equipe da casa engrenou e alcançou a vitória sobre a Romênia.

Já na segunda rodada, contra a Albânia, o treinador francês manteve a estrutura tática que deu mais certo na primeira, com Coman, Payet e Martial na linha de três, Kanté e Matuidi volantes, mais Giroud na referência. Ou seja, iniciou com Pogba e Griezmann na reserva, injustificável e equivocadamente. Ambos entraram no segundo tempo, claro. E com o time postado no 4-3-3, os gols da vitória por 2 a 0 saíram (um deles de Griezmann).

Na terceira rodada, com a vaga nas oitavas já garantida, a França "poupou" uns atletas e atuou com Cabaye volante e Sissoko e Pogba nas meias do 4-3-3. Dessa vez Pogba trabalhou na meia esquerda, onde rende mais e onde joga na Juventus, por exemplo. O problema é que Matuidi é canhoto, e com ambos no XI, geralmente Pogba é "sacrificado" na meia direita, para que Matuidi fique na esquerda. Geralmente. Pois nas oitavas, pelo menos a mim, Deschamps surpreendeu e inverteu eles de lado.

Diante da Irlanda, neste domingo, a França começou com o destro Pogba na meia esquerda e o canhoto Matuidi na meia direita do 4-3-3 (Kanté à frente dos zagueiros; canhoto Griezmann na ponta direita e destro Payet na ponta esquerda). Apesar de não ter feito uma grande partida, Paul Pogba estava nitidamente na sua praia na meia esquerda. Matuidi, em contrapartida, se mostrou relativamente desconfortável na meia direita. Durou até o intervalo. Em desvantagem no placar (Irlanda fez 1 a 0 logo aos 2 minutos de jogo) e com Kanté amarelado, Deschamps voltou para o segundo tempo com uma mudança esperada: trocou o 4-3-3 pelo 4-2-3-1, com Coman na vaga do volante do Leicester. O que não era esperado, pelo menos por mim, era o posicionamento das peças em campo.

Na segunda etapa, Pogba e Matuidi, agora formando a dupla de volantes do 4-2-3-1, inverteram de lado (o futebol de Matuidi cresceu pela esquerda). O que chamou a atenção, no entanto, foi a distribuição dos homens mais da frente: Coman e Payet pelas beiradas e Griezmann por dentro. Isso mesmo. Até então, na competição, quando variou para o 4-2-3-1, Deschamps utilizou Payet pela faixa central. Diante da Irlanda, entretanto, Payet permaneceu à esquerda e Griezmann veio para dentro. E foi por ali, pela faixa central, que ele fez os dois gols da virada sobre os irlandeses. Porque é por ali, pela faixa central, encostando no centroavante, que ele rende mais, sem tanto desgaste defensivo, com maior região de atuação, mais perto da área. É por ali que ele mais se aproxima do Griezmann do Atlético. E é por ali, provavelmente, que ele vai enfrentar a Inglaterra ou a Islândia nas quartas, com Payet na ponta esquerda e Coman na ponta direita (e Pogba e Matuidi volantes, até porque Kanté está suspenso).

segunda-feira, abril 25, 2016

O jogador mais completo da PL 2015/16

Jogador completo não é o que chuta com as duas pernas e faz gol de cabeça. Jogador completo é o que sabe passar, sabe driblar e finalizar. Pois quando você tem a bola, no fim das contas, são essas as três opções que lhe restam. E os jogadores que dominam esses três recursos com eficiência semelhante, em alto nível, são os mais completos, uma vez que são os jogadores com maior influência no jogo. O cara que faz gol com as duas pernas e de cabeça obviamente tem seus méritos. Mas isso não faz dele um jogador "completo", já que estamos falando apenas de "finalização" e deixando de lado o "passe" e o "drible". O conceito de "completo", tecnicamente falando, na minha opinião, é a conjunção desses três fatores.

Claro. Diferentes posições e funções exigem diferentes recursos. Um zagueiro ou um volante, por exemplo, não necessariamente precisa ser bom no drible e/ou na finalização para ser considerado bom. O próprio centroavante, um jogador de ataque, não necessariamente precisa ter drible e/ou passe de alto nível para ser um centroavante de alto nível (há controvérsias). E assim vai. A lista é longa. Por essas e outras, quando analisamos e juntamos os jogadores que reúnem o passe, o drible e o arremate, notamos que, em regra, esses caras são os pontas do time, os wingers. São geralmente os pontas de pé invertido (destro na esquerda ou canhoto na direita), que entram na diagonal driblando, criando ângulo para o passe ou a finalização com a parte interna do pé. Mas lembre-se: regras têm exceções.

Nesse caso, Paul Pogba é uma delas. O meio-campista da Juventus reúne o drible, o passe e o arremate em alto nível, mesmo atuando numa faixa mais povoada do gramado. Outra exceção é Suárez. O centroavante do Barcelona também domina o drible, o passe e o arremate como poucos, apesar de ser o "último homem". E certamente há mais exceções. Em regra, no entanto, esses três recursos vitais são encontrados reunidos, quando são encontrados, nos pontas. Messi é o melhor exemplar de todos, fácil. Mas podemos citar também Robben, Neymar, Di María, talvez Hazard, Cristiano Ronaldo, Douglas Costa, entre outros. Além de Mahrez. Mahrez? Exato. Riyad Mahrez, eleito no fim de semana o melhor jogador da temporada inglesa.

Aos 25 anos de idade, Mahrez é hoje um dos poucos atletas capazes de driblar, passar e finalizar, em alto nível, com eficiência semelhante. E seus números na Premier League 2015/16 ajudam a comprovar isso: são 17 gols e 11 assistências em 34 jogos pelo Leicester. E no quesito drible, possui a segunda melhor média por jogo (3.3), abaixo apenas de Zaha (3.7) e acima de todos os demais, como Barkley (3.1), Alexis (3.1), Dembélé (2.9), Bolasie (2.8), Martial (2.7), Hazard (2.6), Willian (2.5), Payet (2.4) e etc (dados do whoscored.com). Seu número de passes-chave (não de assistências) pode não ser tão grande porque o estilo de Ranieri não favorece isso como o de Wenger, Pellegrini ou Pochettino. Ainda assim, a temporada do ponta-direita canhoto do Leicester serve para confirmá-lo, sem sombra de dúvidas, como um jogador, acima de tudo, completo.