segunda-feira, maio 07, 2018

Grêmio campeão de tudo?

Uma temporada não se faz com onze jogadores, nem com trinta. Além do chamado time titular, o segredo é ter no banco de reservas umas quatro ou cinco peças que joguem com frequência, sem que o nível da equipe caia muito. Ou seja, uma temporada se faz com cerca de 15 ou 16 jogadores (e um pouco de sorte, pois uma lesão grave de um jogador chave pode comprometer o desempenho no ano).

No caso do futebol brasileiro, o calendário é uma barreira a mais (talvez a pior). Em função da existência dos estaduais - essa coisa do século passado - os jogos são pouco espaçados e o desgaste é maior. Enquanto as principais ligas da Europa com 20 clubes (38 rodadas) são disputadas em 40 semanas, por exemplo, o Brasileirão é disputado em 30. Faça as contas. Não precisa ser um gênio para entender o malefício que isso traz. Portanto, sim, essa bizarrice que é o calendário brasileiro precisa sempre ser levada em conta nas análises, ainda mais quando a intenção é falar sobre elenco. Agora, dito isso, diria que o segredo é ter 15 ou 16 jogadores dividindo os minutos da temporada.

No caso do Grêmio, essas peças regulares devem ser Jailson, Cícero, Alisson e Jael. Jailson pode dar uma folga para a dupla de volantes Maicon e Arthur, Cícero é o cara ideal para ocupar a posição de Luan entre linhas, Alisson pode dar descanso tanto para Everton quanto para Ramiro (ele faz as duas beiradas) e Jael é a sombra de André (lembrando que Ramiro e até Cícero podem operar na linha dos volantes). Evidentemente que outras posições também precisam de revezamento, em especial as laterais, mas esses quatro devem ser o "12º jogador" e devem entrar com mais frequência que os outros.

O que não pode acontecer é 100% do time titular ser poupado. O rodízio é necessário para se chegar, na medida do possível, bem física e mentalmente ao final da temporada, porém ele precisa ser feito de maneira equilibrada. Dependendo da exigência da próxima partida e do desgaste no momento, poupa-se dois aqui, três ali, e assim vai se administrando a temporada. O que não pode é 100% dos titulares serem eventualmente poupados. Assim como não é aconselhavél colocar o "12º jogador" somente no segundo tempo dos jogos, porque dessa maneira ele não se sente importante. Ele tem que ser titular eventualmente num time composto por, sei lá, 70% dos titulares. Ele não quer ter 90 minutos apenas naqueles jogos onde o time em campo é o dito reserva na sua totalidade. Para se sentir importante e manter um bom nível de competitividade mesmo sendo um "reserva", às vezes é preciso começar a partida com os melhores.

Se Arthur ficar até dezembro e Renato aprender a rodar o elenco, o Grêmio pode sim conquistar o triplete em 2018. O entrosamento, a continuidade do trabalho, o comando, a experiência, a qualidade dos principais jogadores, o estilo de jogo e o encaixe da equipe são fatores que permitem sim ao Grêmio mirar os títulos do Brasileirão, da Libertadores e da Copa do Brasil. É difícil, claro, mas não impossível, pois o time joga o futebol mais eficiente e atraente do país. Para que isso possa se tornar realidade, contudo, Renato tem que rodar o elenco com mais equilíbrio.

PS: Um clube do sul jamais foi campeão brasileiro na era dos pontos corridos (veja aqui a lista dos vencedores desde 2003). Por essas e outras, na minha visão esse deveria ser o foco do Grêmio neste ano.

quarta-feira, janeiro 31, 2018

Onde entram os principais reforços

Coutinho (25 anos)

É o substituto de Iniesta no longo prazo. Vai assimilar o DNA Barça, aprender a controlar e cadenciar a partida, e ainda agregar aceleração, drible e tiro de longa distância. Ainda que a passagem de bastão não ocorra da noite para o dia, Coutinho chega para atuar na do Iniesta, na beirada esquerda do 4-4-2 de Valverde. Ou melhor, a partir da beirada, já que Coutinho é mais meia do que ponta e naturalmente, sendo destro, a partir da esquerda, busca a faixa central para fazer o seu jogo. Assim como Iniesta.



Quanto à beirada direita, apenas uma sequência de lesões tira a titularidade de Dembélé. Logo, resta saber quem será o parceiro de Busquets na dupla de volantes. Rakitic? Paulinho? Arthur chega no meio do ano e assume essa posição? Vamos ver. E em relação à lateral direita, hoje Sergi Roberto está na frente de Semedo. De qualquer forma, está evidente que Coutinho, o grande reforço desta janela, chega para assumir esse lado esquerdo (embora ele também possa ser utilizado à direita, quando Dembélé estiver fora).

Alexis (29 anos)

Foi o chamado chapéu. Alexis no City era certo desde a última janela de verão, mas aos 45 do segundo tempo o United entrou no leilão, o City caiu fora, e o craque chileno acabou no time vermelho de Manchester. A pergunta é: onde ele vai entrar? Provavelmente na ponta esquerda. Como sabemos, Alexis Sánchez pode jogar em alto nível tanto na ponta direita quanto como centroavante (ou atrás dele). Mas, até por ser destro, ter o drible para dentro, ter passe e arremate (jogador completo), a ponta esquerda é a sua praia, é onde seu potencial é melhor explorado.



O duro é que Martial está voando, e sua praia também é a beirada esquerda. Contudo não vejo Alexis, a grande contratação desta janela inglesa, sendo "sacrificado" em nome de Martial. É mais fácil o contrário acontecer, seja com Martial aberto na direita, ou no banco. Particularmente eu tenho na cabeça que agora Martial é o reserva de Alexis, Rashford é o reserva de Lukaku, e a beirada direita segue com Mata, que teve seu contrato ampliado nesta terça-feira (acabaria em junho de 2018 e agora vai até junho de 2019). Até para aproveitar a locomotiva Valencia, não vejo Mourinho abrindo mão do canhoto Mata a partir da direita, buscando o corredor central para armar e deixando o flanco para o lateral equatoriano. Isso tudo no 4-1-4-1, a estrutura tática mais indicada para tirar o melhor do melhor jogador do time: Paul Pogba.

Um 4-4-2 em linha/4-2-3-1, sem dúvida, também é uma ótima alternativa, com Matic e Pogba na dupla de volantes, Mata à direita, Martial à esquerda, mais Alexis próximo a Lukaku. Mas insisto: ter Pogba no elenco e não jogar no 4-1-4-1 é, digamos, burrice.

Mkhitaryan (29 anos) Aubameyang (28 anos)

Como encaixar Özil, Mkhitaryan, Aubameyang e Lacazette no mesmo XI? No 3-4-3 que se tornou o padrão de uns tempos para cá, impossível. A não ser que Mkhitaryan ou Özil atue na linha dos volantes, impossível (o que não seria uma ideia sensata). Portanto, Wenger deve, imagino eu, voltar ao seu esquema de toda vida: o 4-2-3-1. Um 4-4-2 em linha com Özil e Mkhitaryan abertos ou até mesmo um 3-5-2 com ambos de interiores também podem ser opções, porém estou convicto - e posso estar errado - de que Wenger vai voltar ao 4-2-3-1. A pergunta é: com Özil ou Mkhitaryan por dentro? Quem por dentro e quem por fora? E na referência? Lacazette ou Aubameyang?



Aubameyang fez milhares de gols com a camisa do Dortmund jogando como centroavante. No entanto, na temporada 2013/14, antes de Lewandowski ir para o Bayern, ele jogou na ponta direita, naquele time que tinha Mkhitaryan por dentro e Reus na ponta esquerda (4-2-3-1). Ou seja, não seria novidade para o gabonês atuar aberto. Sem falar que o Arsenal já conta com Lacazette como nove. E ainda que o francês também tenha facilidade para trabalhar longe da área, entre ele e Aubameyang, faz mais sentido ter Aubameyang na beirada do que Lacazette. Agora, é importante lembrar que rodar o elenco é preciso, que jogadores se machucam, são suspensos e não jogam todas. Quando Lacazette estiver fora por um motivo ou outro, Aubameyang imediatamente vira o centroavante da equipe.

quarta-feira, novembro 15, 2017

O grande erro de Tite

Dono do Bordeaux, Malcom é hoje o segundo melhor ponta brasileiro na Europa. Destaque do atual campeão francês, Fabinho é peça chave no meio campo do Monaco. Fundamental no Watford, Richarlison é considerado uma das melhores contratações da última janela da Premier League. Regista do Napoli de Sarri, Jorginho tem características que nenhum outro pivote do elenco tem. E David Neres está voando com a camisa do Ajax.

Esses são alguns nomes que Tite podia ter testado nos amistosos contra Japão e Inglaterra, agora em novembro. Se não todos eles, pelo menos uns três (Jorginho, Fabinho e Malcom, eu diria). Jorginho já era. Entrou em campo pela Itália contra a Suécia - foi o melhor jogador da partida, diga-se - e não pode mais vestir a amarelinha. Quanto a Fabinho, abrir mão de um cara versátil como ele numa Copa - joga em alto nível na do Daniel Alves, na do Casemiro e na do Paulinho - me parece burrice. E Malcom, como eu disse, é hoje o segundo melhor ponta do Brasil na Europa, só fica atrás de Neymar.

Esse foi um erro de Tite. Fato. Perdeu a oportunidade de testar novos atletas. Aparentemente ele fechou o grupo antes da hora. Insistir em Taison, Giuliano, Diego Souza e etc e ignorar/desconsiderar nomes como os citados é algo no mínimo questionável. No entanto, esse não foi e nem é o maior erro do treinador da Seleção. O maior erro do treinador da Seleção, o grande erro de Tite, não passa pela convocação geral, e sim pelo XI inicial, pela formação do chamado time titular.

Particularmente Ederson seria meu goleiro, e não Alisson. E, obviamente, Thiago Silva seria meu zagueiro, e não Miranda, não só porque Thiago Silva é mais zagueiro do que Miranda, mas também para aproveitar o entrosamento de PSG com Marquinhos. Dito isso, o verdadeiro vacilo de Tite está mais para a frente, na meia esquerda. Sim, me refiro a uma tecla que venho batendo no Twitter há mais de um ano: Coutinho precisa jogar na do Renato Augusto.



Coutinho precisa jogar na do Renato Augusto por vários motivos. Um deles é que, com Coutinho na do Renato Augusto, o meio campo fica mais criativo, pois na fase ofensiva a contribuição de Coutinho é infinitamente maior que a de Renato Augusto. Coutinho é mais dinâmico, mais associativo, tem mais passe, mais drible, mais arremate, mais aceleração, mais visão, mais tudo. Além disso, com Coutinho na do Renato Augusto, Neymar não precisa cair tanto por dentro para armar as jogadas, como aconteceu nesta terça, contra a Inglaterra (veja aqui o mapa de passes do 11tegen11). Com Coutinho na do Renato Augusto, na meia esquerda do 4-3-3, o principal atacante do Brasil não fica sobrecarregado e pode se dedicar mais à conclusão das jogadas (aliás, Tite está repetindo um erro que Felipão cometeu em 2014: é tudo no Neymar).

Outro detalhe: não é apenas o rendimento coletivo da equipe que sobe com Coutinho na do Renato Augusto, mas também o rendimento individual do próprio Coutinho, que, destro, tem na finalização de fora da área a partir da esquerda um de seus pontos fortes, algo que praticamente desaparece quando ele é escalado a partir da direita. Como costumo dizer, há quem chame Coutinho a partir da beirada direita de "ponta construtor", de "meia aberto". Já eu chamo de desperdício.

"Coutinho não tem o poder de marcação de Renato Augusto", alguns dirão. Pode até ser. Mas no fim das contas, botando tudo na balança, há mais prós do que contras nessa troca. Muito mais. Sem falar que, com essa troca, abre-se uma vaga na ponta direita, que pode ser ocupada por Willian ou por um canhoto como Douglas Costa ou Malcom. E ainda tem outro detalhe: com Coutinho na do Renato Augusto uma eventual variação para o 4-2-3-1 fica mais viável e eficiente, e sem precisar recorrer ao banco de reservas.

Enfim. Você que me segue no Twitter sabe que eu canto essa pedra há bastante tempo. Chego até a me tornar, eu sei, repetitivo e chato, de tanto que insisto nisso. Mas quando a coisa é óbvia e está na nossa cara, é difícil ficar calado. De qualquer forma, a boa notícia é que ainda há tempo para Tite cair na realidade e se dar conta de que, para enfrentar seleções da elite europeia, por exemplo, é preciso mais. O Brasil pode ser campeão na Rússia com Renato Augusto interior-esquerdo e Coutinho a partir da direita? Pode. Claro. Copa é Copa. São sete jogos. Tiro curto. Mas com Coutinho na do Renato Augusto, a probabilidade disso acontecer cresce.

segunda-feira, setembro 04, 2017

Top 20 elencos Europa 2017/18

1 Real Madrid


2 Paris Saint-Germain


3 Manchester City


4 Bayern


5 Juventus


6 Manchester United


7 Barcelona


8 Chelsea


9 Borussia Dortmund


10 Liverpool


11 Tottenham


12 Arsenal


13 Atlético


14 Napoli


15 Milan


16 Monaco


17 Roma


18 Inter


19 Everton


20 Sevilla


PS: Os esquemas táticos das pranchetas acima, as ordens de titularidade e as distribuições dos jogadores naturalmente não devem estar 100% corretas.

quinta-feira, agosto 17, 2017

Precisamos falar sobre Messi

Times que controlam o jogo com a bola geralmente atuam com um pivote e dois interiores. Há exceções, claro, mas em regra times que valorizam a posse se estruturam assim, com um primeiro volante centralizado e dois meias no meio campo - o setor mais importante de uma equipe que pretende ter a bola. Não é coincidência. Pode reparar. Geralmente times mais reativos jogam com dupla de volantes (4-4-2 em linha/4-2-3-1), enquanto times mais propositivos jogam com a trinca formada pelo pivote, pelo interior-direito e pelo interior-esquerdo (4-3-3/4-1-4-1).

O exemplo recente mais clássico é o Barça de Pep, que tinha em Busquets (pivote), Xavi (interior) e Iniesta (interior) o centro do seu universo. Messi fazia a diferença no ataque, na ponta direita, e depois como falso nove, entretanto o centro de tudo estava, naturalmente, no meio campo, com movimentação, aproximação e troca de passes curtos (sem movimentação, aproximação e troca de passes curtos não se valoriza a posse da bola). O próprio Barcelona de Luis Enrique, mais para a frente, na temporada 2014/15, seguia o mesmo panorama, com Busquets, Rakitic e Iniesta no meio campo, mais o trio MSN. É verdade que com Messi, Suárez e Neymar o time ficou muito mais vertical, em função das características e do entrosamento do seu tridente ofensivo. Porém a meiuca com um pivote e dois interiores estava lá, não tão dominadora como nos tempos de Guardiola, até pela ausência de Xavi, mas estava lá. Já na temporada passada, esse desenho começou a mudar.

Em 2014/15, quando o Barcelona ganhou tudo, com a MSN encantando e entrando para a história, Messi era o ponta direita do time e Neymar o ponta esquerda, de modo que o meio campo era composto por um pivote e dois interiores. A partir da temporada passada, a última de Luis Enrique no clube, no entanto, não sei se por iniciativa própria ou ordem do treinador, Messi abandonou de vez a ponta direita, o que forçou a equipe a se reestruturar taticamente. Pois, uma vez que Messi abandonou a ponta direita, tornou-se impossível a manutenção do 4-3-3, da meiuca com a trinca formada por um pivote e dois interiores. Gênio que é, Messi continuou desequilibrando mais por dentro, fazendo praticamente um gol e dando uma assistência por jogo. Essa mudança no posicionamento do camisa 10, contudo, acabou com o icônico meio campo do Barcelona.

Já escrevi sobre isso, inclusive. Nesse texto aqui, publicado em março, com quatro imagens, tentei mostrar por que essa variação tática era ruim para o time, por que essa mudança no posicionamento de Messi era maléfica sob o ponto de vista da coletividade. Mudança que, na minha visão, só foi feita e está sendo mantida por Valverde por um simples motivo: para que Messi não precise fechar o lado quando o adversário tiver a bola. Só que essa mudança gera um efeito colateral negativo, que é o enfraquecimento da faixa central, do centro de tudo. Em outras palavras, o "estilo Barça", baseado no seu meio campo com um pivote e dois interiores, tem sido sacrificado para que Messi tenha liberdade total. A pergunta é: vale a pena? Vale a pena sacrificar o "DNA Barça" para que Messi trabalhe menos na fase defensiva?

Enfim. Enquanto não voltar a jogar no 4-3-3 com Messi na ponta direita, ou a partir da ponta direita, o Barcelona vai sofrer e sangrar durante as transições defensiva e ofensiva, como vem acontecendo desde a temporada passada (e, por favor, não venha me dizer que Messi não tem mais condições físicas para cumprir esse papel porque isso é mentira). Agora, se a ideia dos dirigentes do Barcelona é chutar o "DNA Barça" para escanteio, eles estão no caminho certo, e as contratações de Valverde e Paulinho indicam isso.

domingo, agosto 13, 2017

O cara certo na hora errada

Desde a temporada passada o Barcelona se estrutura no 4-4-2 em linha na fase defensiva, basicamente para que Messi não tenha que fechar o lado do campo e possa permanecer mais pela faixa central. Nesse caso Busquets e Iniesta formam a dupla de volantes por dentro e Rakitic e Deulofeu (Neymar na temporada passada) fecham as beiradas, enquanto Messi e Suárez ficam no ataque. O problema é que Iniesta não é "volante" e Rakitic não é "winger" (nem Denis Suárez, André Gomes ou Rafinha), e no fim das contas tanto as transições defensivas quanto ofensivas são prejudicadas por essa variação tática, algo implementado por Luis Enrique (veja mais aqui) e aparentemente mantido por Valverde (exceto pelo 3-4-3 na fase ofensiva).

Se Coutinho chegar agora no Barcelona, você acha que esse desenho será alterado? Você acha que Valverde irá mexer no time para encaixá-lo? Irá fazer com que Messi passe a fechar o lado direito do campo na fase defensiva para que Coutinho possa jogar onde ele tanto quer, como interior? Eu acredito que não. Se ele chegar agora, provavelmente fará o que faz Deulofeu (e o que fez Neymar na temporada passada), que é fechar o lado esquerdo da linha de quatro. Ou fará o que faz Iniesta, que é se colocar como segundo volante ao lado de Busquets nessa linha de quatro. Ou o que faz Rakitic, que é fechar o lado direito do campo. Em outras palavras, taticamente não é uma boa para Coutinho trocar o Liverpool pelo Barcelona neste momento, pois essas três opções são ruins para ele.

No Liverpool, em contrapartida, com a chegada de Salah, Coutinho não precisa mais fechar o lado como acontecia na temporada passada. Hoje o time de Klopp tem Salah e Mané absolutos nas pontas, o que por fim permite a Coutinho jogar onde ele realmente quer jogar, onde ele naturalmente rende mais, onde ele faz mais diferença coletivamente, que é como interior e não como ponta (no caso, interior-esquerdo em um 4-3-3/4-1-4-1, a posição que melhor aproveita as suas virtudes; confira aqui). Ou seja, justo agora que Coutinho tem na temporada 2017/18 a chance de mostrar ao mundo que ele é interior e não ponta, que ele é um gestor e criador de faixa central e não um winger de um contra um, ele vai trocar de clube? Justo quando está prestes a fazer com a camisa do Liverpool sua melhor temporada na carreira, na sua verdadeira posição, com um baita treinador no comando e uma Champions League pela frente (sem falar que ele é ídolo e o melhor jogador da equipe desde a saída de Suárez), Coutinho vai trocar de clube? Justo pelo Barça, que atualmente vive um caos tático, administrativo e institucional? Justo agora, a um ano da Copa do Mundo?

Não sei o que você acha, mas eu tenho claro que fazer essa troca hoje, neste exato momento, não é uma boa para Coutinho. Financeiramente deve ser um bom negócio, e de fato morar em Barcelona deve ser mais fácil do que morar em Liverpool, pela questão do clima, da língua, etc. Aliás, Coutinho já morou em Barcelona, jogou emprestado meia temporada no Espanyol em 2012 e conhece a cidade. No entanto, esportivamente falando, agora não é a hora ideal para trocar o Liverpool pelo Barça, pois o risco dessa mudança atrasar sua evolução é bastante real. Não sei o que você acha, tampouco o que o próprio Coutinho pensa, mas eu tenho claro que a melhor coisa que ele pode fazer, esportivamente falando, é ter paciência. É ficar mais uma temporada no LFC e ir para o desejado FCB depois da Copa 2018, para aí sim assumir de vez o lugar de Iniesta no XI (eu canto essa pedra desde 2015, inclusive; veja aqui), de preferência em um 4-3-3 com Messi na ponta direita, sem essa maléfica variação para o 4-4-2 em linha.

quarta-feira, julho 26, 2017

Bom negócio para todos

Quando um negócio é bom para todo mundo geralmente acaba acontecendo. Óbvio. Ninguém entra numa negociação para sair perdendo. Se um dos lados acredita que o negócio não é bom para ele, esse lado se levanta da mesa e o negócio não é fechado. Não é tão simples assim, mas em regra é assim que funciona, pois o princípio básico de uma negociação é este: uma troca onde todas as partes envolvidas saem ganhando.

No caso da maior saga desta janela de transferências, todas as partes saem ganhando. A provável ida de Neymar para o Paris Saint-Germain é boa para todo mundo. Primeiro, é boa para o Barcelona porque o atleta demonstra ter dúvidas sobre sua continuidade no clube espanhol, e não é interessante para nenhum clube ter um atleta indeciso e insatisfeito. Claro. Neymar é hoje um jogador insubstituível. Atualmente não há um ponta-esquerda no mundo que faça o que ele faz. Seu talento é indiscutível e seu destino é a Bola de Ouro. O que torna essa negociação boa para o Barcelona, no entanto, é o seu valor: € 222 milhões. Com essa grana, não necessariamente nesta janela, o Barça poderia contratar, por exemplo, Verratti (24 anos) e Dembélé (20 anos), e ainda pagar os salários deles por duas temporadas. Ou Coutinho (25 anos) e Dembélé. Um cara para jogar como interior e outro para assumir a vaga de Neymar (no caso, o craque francês do Dortmund). Não sei você, mas eu "trocaria" Neymar por Verratti (ou Coutinho) + Dembélé sem pensar duas vezes (ainda mais considerando - e isso é muito importante - a vontade de Neymar de sair).

E para o PSG, seria um bom negócio? Vale a pena pagar a multa de € 222 milhões para ter Neymar? Num primeiro momento, eu diria que não. Na minha avaliação Neymar (25 anos) vale hoje uns €150m, talvez um pouco mais do que isso. Mas se o PSG tem a grana para pagar (sem se complicar com o fair play financeiro), ótimo para o PSG, pois o time francês asseguraria o segundo maior talento do futebol mundial, com uma projeção de evolução gigantesca pela frente. Neymar seria a peça que falta para o PSG entrar na Champions League como um dos três favoritos ao título. A obsessão do PSG é a UCL, e com Neymar sem dúvida esse objetivo ficaria mais palpável - apesar de não haver garantias de título no esporte, em especial no futebol.

E para Neymar, seria um bom negócio? Sim. Não só financeiramente. Que o dinheiro pesa, sabemos que pesa. Contudo, grana à parte, esportivamente falando, sim, seria um bom negócio para Neymar. Primeiro porque o PSG está estabelecido entre os sete grandes clubes da Europa. É verdade que não tem a história de outros grandes do continente, porém história é passado e o que interessa aqui é o presente (e o futuro). Por teimosia ou burrice, por mais que muitas pessoas não compreendam isto, o fato é que hoje o PSG pertence à elite composta por Real Madrid, Barcelona, Bayern, Juventus, Manchester City, etc. Isso baseado na tradição? Não. Isso baseado no trabalho que vem sendo feito nos últimos anos e, principalmente, baseado na qualidade do elenco. Nesse quesito, não de agora, o PSG está na prateleira de cima. E com Neymar, o patamar do elenco subiria ainda mais. Em outras palavras, o PSG dá a Neymar (e a todos os seus jogadores) todas as condições para conquistar a cobiçada Champions League.

Outro ponto positivo para Neymar nessa negociação seria a questão do protagonismo. Como diz um tweet que viralizou esses dias, o Barcelona oferece a Neymar a oportunidade de jogar com Messi, enquanto o PSG oferece a Neymar a oportunidade de ser Messi. Neymar tem "apenas" 25 anos, tem muito chão pela frente. É compreensível, todavia, que ele queira mais protagonismo neste momento da carreira. É compreensível e legítimo que ele não queira esperar Messi baixar o nível para ele conseguir começar a ser o dono do time. Isso vai levar mais uns três anos. No PSG ele seria o dono do time desde o dia 1. E, como sabemos, em regra ganha a Bola de Ouro o protagonista da equipe campeã da Champions League. Aliás, o que disse Piqué ontem na coletiva é uma meia bobagem. Ele disse que na França só se pode ganhar a Bola de Ouro se a UCL for conquistada. Verdade. Porém na prática isso se aplica a todas as ligas nacionais, já que o peso do título da UCL é o que faz, de longe, a diferença na premiação da Bola de Ouro.

Outro ponto positivo para Neymar nessa negociação seria a quantidade de brasileiros que ele encontraria em Paris. Você pode concordar com ele ou não, mas está evidente que ter brasileiros no elenco é algo que pesa para Neymar, e hoje o PSG está cheio de compatriotas (Thiago Silva, Marquinhos, Thiago Motta, Lucas Moura e, claro, o "irmão" Daniel Alves). Ou seja, no fim das contas, se você colocar todos os fatores na balança e analisar por todos os lados, vai perceber que nessa negociação todas as partes envolvidas saem ganhando. Ganha o Barcelona (desde que saiba o que fazer com os €222m), ganha o PSG e ganha Neymar. Por essas e outras, a negociação deve acabar se concretizando.

sábado, maio 27, 2017

Os reforços que o Chelsea precisa

O XI do campeão da Premier League 2016/17 todos nós sabemos de cor e salteado: Courtois; Azpilicueta, David Luiz e Cahill; Moses, Kanté, Matic e Alonso; Pedro, Diego Costa e Hazard. (Willian até foi o titular na primeira metade da temporada, mas depois Pedro conquistou a vaga na bola. É verdade que houve o episódio do falecimento da mãe do jogador brasileiro entre uma coisa e outra, e isso o abalou bastante, porém, no fim das contas, o ponta espanhol ganhou a posição.) Isso tudo, claro, distribuído no 3-4-3.

Desde a mudança para o 3-4-3, por sinal, logo após aquela derrota por 3 a 0 para o Arsenal, no Emirates, na 6ª rodada, o Chelsea fez 32 jogos na Premier League, e os números impressionam: 27 vitórias, 2 empates, 3 derrotas, 75 gols marcados, 24 gols sofridos, 18 clean sheets. Impressionam também a importância e a influência do trabalho de Conte nesta temporada. Seu 3-4-3, em ideia e execução, merece um capítulo à parte no livro da história da tática no futebol. Recomendo, aliás, a análise feita por Eduardo Cecconi em seu blog sobre o 3-4-3 do Conte (veja aqui).

Devido ao sucesso na temporada, é evidente que na próxima essa estrutura será mantida. Portanto, na hora de reforçar o elenco, a movimentação nesta janela de transferências deve ser baseada no 3-4-3 e no seu funcionamento. Hoje, este é o elenco do Chelsea (Fàbregas também pode jogar na linha dos volantes e Pedro também faz a reserva de Hazard):



Em relação ao XI inicial, creio que a prioridade é trazer alguém para jogar ao lado de Kanté. A temporada de Matic foi muito boa, sem dúvida, contudo, para dar um passo à frente e fazer bonito na Champions League 2017/18, é preciso outra peça para formar dupla com Kanté (Fàbregas não é esse cara). A opção ideal seria Verratti (Verratti seria a opção ideal para vários times, na verdade). A notícia, entretanto, é que ele seguirá no PSG. Outras alternativas que passam pela minha mente são Nainggolan, Vidal, Keïta (Leipzig)... Só não entra na minha cabeça, apesar das especulações, a possibilidade desse cara ser Bakayoko. Não é de hoje que se fala em Bakayoko no Chelsea, mas, na minha visão, não faz sentido, uma vez que, para o Chelsea dar o salto de qualidade necessário para fazer bonito na UCL, Kanté precisa de um volante mais criativo ao seu lado.

A segunda peça na lista de prioridades em relação ao XI inicial, acredito eu, seria para ocupar o lugar de Pedro/Willian. Embora Pedro tenha recuperado seu futebol, e apesar de suas características preencherem os quesitos para triunfar no modelo de Conte, para subir de patamar a equipe precisa de um ponta-direita melhor. Traoré pode ser esse jogador? Talvez. Emprestado ao Ajax, o burquino de 21 anos pode agregar mais agressividade à posição. Canhoto, ele pode adicionar mais dribles e gols ao jogo do Chelsea que Pedro e Willian. Sem falar que ele também seria opção para jogar como centroavante.

Para encerrar as possíveis chegadas para o XI titular, se Diego Costa sair, tenho minhas dúvidas sobre se Batshuayi assume a camisa 9. Se sim, é um problema a menos (Batshuayi titular e Traoré reserva). Se não, alguém deve chegar. Quem? Fala-se em Lukaku. Mas Belotti e Aubameyang me parecem encaixar melhor no estilo de Conte. Não sei. Vamos ver. Isso, claro, se Diego Costa sair (para a China).

De qualquer forma, para subir um degrau na próxima temporada, o Chelsea precisa dessas duas ou três peças para o time titular, e de algumas outras para compor o plantel. Com a saída de Terry, por exemplo, outro zagueiro deve pintar (provavelmente o dinamarquês Christensen, 21 anos, emprestado ao Mönchengladbach). Baba Rahman, 22, também pode voltar do empréstimo ao Schalke para ser o reserva de Alonso. Enfim. Seja como for, o fato é que o campeão inglês precisa de uns poucos porém bons reforços para fazer frente aos gigantes da Europa (e para defender o título da Premier League).

quinta-feira, maio 25, 2017

Beleza é fundamental?

Existem basicamente dois estilos de jogo. Um valoriza a posse de bola e a troca de passes e o outro prioriza a negação dos espaços e as transições rápidas. Não há um certo nem um errado, pois ambos têm o mesmo objetivo: vencer. Ganha-se das duas maneiras e perde-se das duas maneiras. O ideal, na verdade, seria dominar os dois modelos, ter um time capaz de executar (bem) as duas ideias. Mas isso é para poucos. São raros os treinadores e principalmente elencos capazes de fazer isso. Raríssimos. O fato, todavia, é: não há certo nem errado.

No mata-mata ou nos pontos corridos, você pode ser campeão das duas formas: jogando um futebol à la Guardiola ou praticando um futebol à la Mourinho. Um futebol de pressão, posse e passe ou um futebol de defesa baixa e contra ataque. Os dois caminhos podem levar ao troféu. Os dois são eficientes. Talvez um um pouco mais aqui, o outro um pouco mais ali, mas no fim das contas, ambos são eficientes (claro, desde que bem executados). A questão é: qual é o mais agradável? Porque, além de ser uma competição, o futebol é, mais do que nunca, entretenimento. Na era da globalização, com jogos transmitidos ao vivo em alta qualidade para os quatro cantos do mundo (em especial os grandes torneios da Europa), mais do que nunca, futebol é entretenimento. Logo, sob o ponto de vista do espectador/torcedor, qual é o mais prazeroso de se assistir? O "estilo Mourinho" ou o "estilo Guardiola"? E mais: sob o ponto de vista do atleta, qual é o mais prazeroso de se jogar?

O conceito de beleza é bastante relativo. O que é bonito para mim pode não ser para você e vice-versa. Eu sei. Dito isso, particularmente prefiro o estilo de pressão, posse e passe, pois o time fica mais tempo com a bola no pé e é com a bola no pé que as coisas acontecem. Evidente que se o time fica com a bola mas não consegue avançar terreno, não consegue criar chances de gol, o jogo se torna feio (e ineficiente). Mas nesse caso a ideia é mal executada, e a comparação deve ser feita entre modelos bem executados. E quando as duas ideias são bem executadas, particularmente me agrada mais o "estilo Sarri" do que o "estilo Ranieri". E como grande produto de entretenimento global que é o futebol, acredito que o "estilo Sampaoli" coloque mais pessoas em frente à TV do que o "estilo Simeone". Ou me equivoco ao pensar assim? Pois, sob o ponto de vista do espectador/torcedor, custo a crer que há mais pessoas que prefiram ver, no longo prazo, uma equipe que fica mais tempo sem a bola do que com ela. E, principalmente, sob o ponto de vista do atleta, custo a crer que há quem prefira jogar mais tempo sem a bola do que com ela.

Enfim. Não há certo nem errado. E cada caso é um caso. Só acho que um clube do tamanho do Manchester United, por exemplo, uma multinacional gigantesca com consumidores por todo o planeta, deveria ter um time capaz de envolver o adversário com a bola, e não um time que conquista uma Liga Europa com 33% de posse na final, tendo como principal arma a saída longa para o "camisa 10" Fellaini ganhar em cima, diante de uma equipe que possui uma média de idade de 22 anos. Ainda mais quando se tem um elenco tão caro quanto o dos Red Devils. Enfim. O estilo de jogo de Mourinho e suas estratégias - que fique claro - são mais do que legítimos. Isso é óbvio. Só acho pouco para o Manchester United. E isso não é tão óbvio.

sexta-feira, maio 05, 2017

Dois nomes para o Barcelona

Luis Enrique matou o lado direito do Barcelona nesta temporada, e a razão vai além da saída de Daniel Alves. Mesmo sem o lateral-direito brasileiro, o treinador espanhol deveria ter criado mecanismos que gerassem amplitude e profundidade pela direita, mas ele não foi capaz disso (esses mapas de passes aqui ajudam a revelar o problema).

Dito isso, de fato o Barcelona precisa contratar um lateral-direito. Apesar de ter feito boas partidas, Sergi Roberto não é o cara para ocupar essa posição. Não é a dele. E Aleix Vidal, quando começou a engrenar e ganhar a confiança de Luis Enrique, se machucou, praticamente perdeu a temporada e virou uma incógnita para a seguinte. Ou seja, é preciso contratar. E a alternativa mais indicada é Bellerín (22 anos), jogador nascido em Barcelona e produto da cantera azulgrana. Sua situação no Arsenal não é das melhores e, embora seu preço seja salgado, o clube catalão deve tentá-lo na janela de verão.

O outro nome é Verratti (24 anos). É fácil indicá-lo, aliás, pois se trata de um craque que seria titular em todos os times do planeta, de olhos fechados. Não precisa ser nenhum gênio para perceber que o italiano é a contratação ideal para o Barcelona (e para tantas outras equipes). Além de agregar um poder de marcação que nenhum meio-campista do elenco do Barça possui, Verratti pode jogar nas três posições da meiuca. Naturalmente joga como interior, jogou a vida toda assim no PSG, mas também pode fazer o pivote quando Busquets estiver lesionado, suspenso ou poupado. Uma das carências que ficou escancarada nesta temporada, inclusive, é a reserva de Busquets.

Poder de marcação e versatilidade tática à parte, Verratti agregaria, claro, qualidade à fase ofensiva do jogo, com sua movimentação, intensidade, dinamismo, controle, criatividade, visão e passe. Com ele no gramado o time teria a pausa necessária mesmo quando Iniesta é desfalque (quando Iniesta foi desfalque nesta temporada, por sinal, o meio campo culé desapareceu). Imaginando o retorno do 4-3-3 para a próxima temporada, o meio teria, no caso, Busquets de pivote e Verratti e Iniesta de interiores. Rakitic? No banco. Ou em outro clube. Na verdade, seria uma boa vendê-lo para fazer caixa, assim como Arda.

Enfim. Está meio evidente que Bellerín e Verratti são os dois nomes para o Barcelona na janela do meio do ano. No entanto não vai ser fácil tirá-los do Arsenal e do PSG. Porém, não impossível, uma vez que a vontade do jogador (quase) sempre prevalece, e ao que parece ambos estariam a fim de jogar no Barça de Messi, Suárez e Neymar.

sábado, março 25, 2017

Top 5 elencos do mundo

Três jogadores por posição. Embora a lista da Copa seja composta de 23 jogadores, optei por três por posição para ampliar o leque. Ainda assim, certamente alguns nomes ficaram de fora.

Os 33 atletas de cada seleção a seguir não necessariamente refletem as escolhas de seus treinadores, tampouco o esquema tático, a distribuição das peças e a ordem de titularidade. De qualquer forma, as cinco pranchetas abaixo servem como referência para comparar os principais elencos do futebol mundial no momento. Na minha visão, eis a ordem:

1. França



2. Brasil



3. Espanha



4. Alemanha



5. Argentina



PS: Entre parênteses, a idade do jogador.